ARTIGO · GOVERNANÇA
Minerais Críticos, Geopolítica e Soberania: o Desafio Institucional Brasileiro
Argumento central: a criticidade de um mineral não é uma qualidade natural e universal. Ela depende da estrutura produtiva, das vulnerabilidades e do projeto estratégico de cada país. Portanto, o Brasil não deveria simplesmente importar listas e prioridades concebidas pelas grandes economias.

Edson Farias Mello e Claudio Scliar — Anuário do Instituto de Geociências/UFRJ, 2026.
O que é distintivo: o artigo compara os modelos dos Estados Unidos, União Europeia, China, Austrália e Brasil e transforma uma discussão aparentemente mineralógica em uma questão de desenho institucional. Sua advertência mais forte é que converter o Serviço Geológico do Brasil em operador de mineração confundiria duas funções incompatíveis: produzir inteligência pública independente e explorar comercialmente recursos.
Por que merece seu tempo: o texto oferece uma chave aplicável muito além dos minerais: recursos naturais só se convertem em poder nacional quando existem instituições capazes de produzir conhecimento, coordenar indústria, ordenar interesses e preservar autonomia decisória. É uma leitura particularmente útil para pensar — e escrever — sobre a diferença entre possuir recursos e possuir capacidade estratégica.

